O Governo JK: 50 anos em 5. O papel de destaque da Jucemg na expansão econômica de Minas

Publicado em: 15 de Julho de 2020, há 1 ano.

Os anos 1950 começaram no Brasil com a volta de Getúlio Vargas ao poder, ao ser eleito presidente da República pelo voto direto. O mundo passava por um grande rearranjo econômico e político após o fim da Segunda Guerra Mundial. No plano político, foi o início da Guerra Fria, que dividiu o planeta em dois blocos: um, capitalista, liderado pelos Estados Unidos; e outro, socialista, sob o comando da União Soviética. No aspecto econômico, esse período também foi marcado pelo começo da hegemonia norte-americana, que se caracterizará pela abertura de novos mercados decorrentes da implantação de empresas multinacionais nos países centrais e nos ditos periféricos, Os Estados Unidos também lançaram na Europa e Japão o chamado “Plano Marshall”, cujo objetivo era recuperar as economias alinhadas ao capitalismo e que mais haviam sofrido com os estragos provocados pela guerra.

O Governo de Getúlio foi direcionado para uma política nacional-desenvolvimentista mais radical. Tal política distinguiu-se pela abertura de grandes empresas estatais como a Petrobras, criada no decurso de uma campanha mobilizadora nacionalista, cujo lema era “O Petróleo é Nosso”; o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico – BNDE e a Eletrobras, esta voltada para o setor elétrico.

Ao assumir o Governo de Minas Gerais, em 1951, Juscelino Kubitscheck de Oliveira e sua equipe puseram em prática um audacioso projeto de industrialização como estratégia de desenvolvimento, tomando como base as orientações do “Plano de Recuperação e Fomento de Produção”, elaborado ainda no governo de Milton Campos. Com uma diferença: Juscelino definiu como pilares de seu governo principalmente as áreas de energia e transportes.

Em maio de 1952, o governo criou a Centrais Elétricas de Minas Gerais, inovando na forma de sua constituição ao optar pelo modelo de uma empresa de economia mista, o que possibilitava relativa independência administrativa ao empreendimento. Na área de transportes, voltou seus esforços para ampliar substantivamente a malha rodoviária estadual. Como justificativa para essa decisão, o governador lembrou a precariedade do sistema ferroviário, devido à situação de quase insolvência da Rede Mineira de Viação.

A Junta Comercial teve papel destacado e importante nesse momento, pelo auxílio à concretização do plano de JK. Atuando em sintonia com o governo e com o empresariado, a Junta procurou facilitar e agilizar o registro de todas as empresas e indústrias que passaram a ser instaladas em Minas, inclusive com formas inovadoras de registro para as recém-abertas empresas de constituição mista.

Em 1955, Juscelino foi eleito presidente da República, tendo como principal plataforma de governo o plano baseado no binômio Energia e Transportes e na construção de Brasília, a nova capital, como parte de sua ideia de interiorizar o desenvolvimento econômico. No plano mundial, a economia entra em período de franco crescimento, apesar das incertezas provocadas pelo clima da Guerra Fria.

Em Minas, o governador Bias Fortes (PSD) continuou o plano de governo baseado no binômio Energia e Transportes e apoiou a decisão da Cemig de construir a Usina de Três Marias, por meio de associação com a Comissão do Vale do São Francisco. Outra iniciativa importante foi a decisão de construir a Usiminas, com uma proposta empresarial e gerencial inovadora. Foi a primeira experiência brasileira de joint venture, unindo capital público e capital estrangeiro, no caso, da Nippon Steel, japonesa. Nesse período, a Mendes Junior e a Andrade Gutierrez se consolidaram como empresas de primeira linha na área de construção pesada. Houve ainda um incremento muito grande de investimentos estrangeiros no parque industrial mineiro: Belgo- Mineira (Luxemburgo), Ferro Brasileiro (França), Mannesmann (Alemanha), Alcan (Canadá), RCA Vitor (EUA), Sociedade Brasileira de Eletrificação (Itália). E, mais uma vez, como Juscelino, o governo de Bias Fortes tentou criar um banco de fomento do desenvolvimento em Minas, o BDMG, mas a Assembleia Legislativa rejeitou a iniciativa.

Junta Comercial de Minas Gerais: Memória e História - 1893 - 2011
Organizadores: Airton Guimarães - José Eustáquio Oliveira de Souza
Editora Vega, 2011

Publicado em: 15 de Julho de 2020, há 1 ano.